O mercado de seguros brasileiro está prestes a viver sua maior transformação desde a criação da SUSEP. O Open Insurance — sistema de compartilhamento padronizado de dados de seguros — promete integrar-se ao ecossistema do Open Finance e redesenhar completamente como seguros são cotados, contratados e gerenciados.
Para corretores de seguros e cooperativas que operam com multicálculo, essa convergência abre oportunidades enormes — mas exige preparação. Neste artigo, explicamos o que muda, como se adaptar e por que quem agir primeiro terá vantagem competitiva decisiva.
O que é Open Insurance
O Open Insurance é a extensão do Open Finance para o mercado de seguros. Regulamentado pela SUSEP, ele permite o compartilhamento padronizado de dados entre seguradoras, corretores e distribuidores — sempre com o consentimento do cliente.
Na prática, isso significa que:
- Um cooperado pode autorizar que sua cooperativa acesse seus dados de seguros em outras instituições
- Histórico de sinistros, apólices ativas e perfil de risco ficam disponíveis para ofertas mais precisas
- A portabilidade de seguros se torna viável: trocar de seguradora sem perder histórico ou bonificações
- A precificação se torna mais justa, baseada em dados reais e não em médias estatísticas
Convergência Open Finance + Open Insurance
O grande diferencial do modelo brasileiro é a convergência entre Open Finance e Open Insurance em um ecossistema único. Isso cria possibilidades que não existem em nenhum outro país:
Visão 360° do cliente
Com dados financeiros (Open Finance) e de seguros (Open Insurance) combinados, a cooperativa terá uma visão completa: renda, gastos, investimentos, créditos, seguros e sinistros. Isso permite ofertas verdadeiramente personalizadas.
Precificação dinâmica
Seguradoras poderão precificar com base no perfil financeiro real do cliente — não apenas em tabelas estáticas. Um cooperado com bom histórico financeiro e zero sinistros paga menos. A cotação se torna mais justa e competitiva.
Embedded insurance inteligente
Ao conceder crédito para compra de um veículo, a cooperativa já sabe o perfil de risco completo do cooperado e pode oferecer o seguro ideal integrado ao financiamento — com preço personalizado e contratação em um clique.
Impacto no multicálculo
O multicálculo é a ferramenta que mais se beneficia do Open Insurance. Com dados compartilhados, a cotação evolui de um modelo estático para um modelo dinâmico e personalizado:
Antes do Open Insurance
- Cotação baseada em dados informados pelo cliente (que podem ser imprecisos)
- Precificação por perfil genérico (idade, região, modelo do veículo)
- Sem histórico de sinistros de outras seguradoras
- Bonificações perdidas ao trocar de seguradora
Com Open Insurance
- Cotação baseada em dados reais verificados diretamente na fonte
- Precificação por perfil individual (comportamento real do segurado)
- Histórico completo de sinistros e apólices acessível automaticamente
- Portabilidade de bonificações entre seguradoras
- Renovação automática com comparação de mercado integrada
Para o operador, o processo fica mais rápido e preciso. Para o cooperado, as ofertas ficam mais justas e competitivas. Para a cooperativa, a conversão e o ticket médio aumentam.
Como corretores e cooperativas devem se preparar
1. Adote uma plataforma multicálculo moderna
Se sua cooperativa ainda opera com cotação manual ou multicálculos básicos, o primeiro passo é migrar para uma plataforma que já esteja se preparando para o Open Insurance. Busque fornecedores que mencionem Open Insurance no roadmap e que já operem com APIs abertas.
2. Invista em integração de dados
O valor do Open Insurance está nos dados. Cooperativas que já possuem seus dados organizados e integrados — core banking, CRM, histórico de seguros — vão aproveitar o Open Insurance mais rapidamente que aquelas com dados fragmentados.
3. Capacite a equipe comercial
Operadores precisarão aprender a usar dados do Open Insurance na abordagem comercial. A venda de seguros vai mudar de "quer fazer uma cotação?" para "com base no seu perfil, encontramos uma opção 20% mais barata que seu seguro atual".
4. Prepare a infraestrutura de consentimento
O cooperado precisa autorizar o compartilhamento de dados. Isso exige um fluxo de consentimento claro, transparente e em conformidade com a LGPD. Plataformas que já oferecem gestão de consentimento do Open Finance estão prontas para estender ao Open Insurance.
Oportunidades imediatas (antes do Open Insurance pleno)
Enquanto o Open Insurance amadurece, cooperativas podem se posicionar desde já:
- Centralizar dados de seguros: registre todas as apólices dos cooperados em uma base estruturada
- Automatizar renovações: 60-90 dias antes do vencimento, dispare cotações automáticas via multicálculo
- Cross-sell crédito + seguro: integre o multicálculo ao fluxo de concessão de crédito
- Conteúdo educativo: publique guias sobre Open Insurance para posicionar-se como referência
- Pilotos com seguradoras: estabeleça parcerias com seguradoras que estão na vanguarda do Open Insurance
Timeline esperado
- 2025-2026: Fase de implementação regulatória e pilotos entre instituições
- 2026-2027: Início da operação com compartilhamento de dados básicos (apólices e sinistros)
- 2027+: Convergência plena com Open Finance e portabilidade de seguros
Cooperativas que se prepararem agora terão 12 a 18 meses de vantagem quando o sistema entrar em plena operação.
Conclusão
A integração entre Open Insurance e multicálculo representa a maior oportunidade de crescimento para cooperativas e corretores de seguros na próxima década. O ecossistema vai premiar quem tem dados organizados, plataforma moderna e equipe preparada.
Não espere o Open Insurance estar 100% implementado para começar. As cooperativas que se moverem agora — adotando multicálculo, organizando dados e capacitando equipes — estarão na pole position quando o ecossistema decolar. As que esperarem vão correr atrás de quem já está anos à frente.